Redes sociais, Ética e Privacidade: Como conviver pacificamente com a inovação?

O tema do momento tem sido o documentário da Netflix “Social dilemma”. Vamos aproveitar esse interesse para fazermos uma leitura mais técnica e voltada para um dilema dentro da ciência de dados, que são os critérios de ética e a privacidade das pessoas.

O que mais se houve é que os dados são o novo petróleo, o novo ouro, enfim a riqueza da economia digital. Sim, isto é um fato, afinal é através dos dados que as empresas digitais desenvolvem seus produtos, serviços e geram resultados financeiros, pagam impostos, geram empregos. Enfim, os dados são a base da economia e da sociedade digital.

Os riscos apontados tanto no documentário “Social Dilemma” quanto no seu antecessor, o documentário “Privacidade Hackeada”, ambos da Netflix, não coincidentemente uma plataforma de filmes digitais, cujo grande diferencial estratégico de seus negócios, é o uso de algoritmos preditivos com base nos dados de seus clientes para oferta de novos serviços, são todos verdadeiros. Um fato.

Porém, não nos cabe pensar que devemos combater a evolução, a inovação porque nos sentimos ameaçados e inseguros diante do poder de quem está por trás desse volume gigantesco de dados sobre cada um de nós.

A seguir faço algumas reflexões factuais, diante deste cenário.

No site Maiores e Melhores, temos as 20 maiores redes sociais do mundo e sim temos a confirmação de que os dados coletados do bilhões de utilizadores destas redes, são posse de duas grandes potências mundiais, EUA e China, sendo que respectivamente os dados de 9,7 bilhões de utilizadores estão na posse de redes Americanas e 2,9 bilhões em redes Chinesas, podemos observar que muitos dados podem ser duplicados, um exemplo disse é o grupo Facebook (EUA), que detém 3 das maiores redes sociais(Facebook, Instagram e Whatsapp), e os mesmos utilizadores se repetem nestas redes:

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Fonte: Adaptado do site Maiores & Melhores

Os dados de redes sociais revelam muito do comportamento das pessoas e de seu estado emocional. Mas ao mesmo tempo, poucas empresas têm condições de analisar de modo profundo estas informações a ponto de extrair conteúdo válido para ações de manipulação comportamental.

Sim é temeroso saber que quase 70% dos dados de pessoas de todas as partes do mundo estão sob o poder de um único país.

O que não podemos é entrar em pânico e nem tão pouco nos paralisarmos diante deste fato.

As leis de proteção a privacidade são o primeiro passo para nos precavermos do lado pouco admirável da natureza humana, porém não é tudo. Também se faz necessária a educação da população em geral em relação ao uso de redes sociais e compartilhamento de suas informações.

A utilização de dados para prevenção de problemas de saúde pública, como o que estamos vivenciando nesta pandemia, tem um valor positivo coletivamente. Acelera a busca por soluções com o compartilhamento de dados de todas as nações, acelerando as pesquisas cientificas.

As regras devem ser avaliadas sempre com ponderação e equilíbrio, não podemos deixar brechas para interpretações duvidosas, nem tão pouco coibir a evolução da ciência e inovação.

Por isso o primeiro passo é a educação. Quando as pessoas sabem o que estão fazendo, tudo fica mais fácil.

O que chamamos de letramento digital é justamente essa capacitação da população em geral na utilização dos meios eletrônicos.

Saber utilizar, não é apenas saber enviar mensagens, fazer pagamentos ou compras através de canais digitais, mas saber como isso funciona. Quem está do outro lado da tela. Sempre há um outro lado. O caminho que esta informação percorre até chegar na outra ponta.

É necessário que, em uma linguagem acessível, toda população possa saber quando pode ou não confiar nas informações que recebe digitalmente. Quando pode enviar suas informações com segurança ou não.

Uma vez que haja esse equilíbrio de conhecimento, o poder dos dados ficará equilibradamente dividido entre quem os gera e quem os manipula.

As soluções de produtos e serviços que são desenvolvidas já prevendo o direito à privacidade “private by design”, certamente serão as mais populares e bem sucedidas de agora em diante.

A capitalização de empresas de acordo com a qualidade, garantia de privacidade e ética na gestão de dados já começa a ser considerada contabilmente como um patrimônio das empresas quando da sua análise financeira, denominada “Infonomics”.

A consultoria Gartner mencionou que esta disciplina (Infonomics) permite às empresas, quantificar o valor dos ativos de informações e táticas baseadas em dados como sua vantagem competitiva para impulsionar o crescimento.

Portanto, podemos salientar que não são os dados que são ameaçadores, mas sim a nossa displicência ou desconhecimento do entorno em que vivemos.

Assim como outros animais predadores eram uma ameaça aos humanos da pré-história, hoje algumas espécies de humanos pouco éticos são uma ameaça, mas já vencemos tantas ameaças até aqui, porque não venceríamos a nós mesmos?

Fontes:

The Social Dilemma Netflix — https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=3FmX8SBIeco&feature=emb_logo

Privacidade Hackeada Netflix — https://www.youtube.com/watch?v=wjXYCrxRWqc

Maiores Redes Sociais no Mundo — https://www.maioresemelhores.com/maiores-redes-sociais-do-mundo/

Site Gartner — https://www.gartner.com/en/information-technology/glossary/infonomics

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