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O Governo Brasileiro não aplica ciência de dados

Heverton Anunciação
Escrito por Heverton Anunciação
O Governo Brasileiro não aplica ciência de dados
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O Governo Brasileiro não aplica ciência de dados

Qual é o órgão do governo federal brasileiro que aplica a cultura de Ciência de Dados e numa agilidade excepcional? Você como eu deve ter pensando: receita federal ou municipais, principalmente quando na cobrança de impostos. Afinal, eles precisam disso para sobreviver.

Agora, você conseguiria lembrar outros órgãos municipais, estaduais ou federais que sabem aplicar a revolucionária governança de dados de forma eficaz?

Talvez você possa citar a iniciativa do Gov.br de criar um login único aos cidadãos e empresas para interagirem com os serviços públicos, mas isso não é ciência de dados, isso é reduzir esforço do usuário, o que é comum nas estratégias de CRM, UX e experiência do cliente.

Lógico que temos por exemplo iniciativas do Detran do Paraná, por exemplo, que permite já o motorista fazer recursos de multa sem precisar ir ao correio. Legal isso, mas de novo, isso não é ciência de dados, é CRM, UX e CX sendo aplicada para reduzir o esforço e o atrito entre cidadãos e órgãos governamentais.

Após ter te posicionado e para não confundir estratégias de atendimento com Ciência de Dados, eu vou te citar 3 casos reais de que o governo brasileiro em vários níveis não quer aplicar, não sabe aplicar, tem medo de aplicar, ou outro motivo que com isso retiraria o “poder” da mão deles e transferiria para os cidadãos ou até os algoritmos:

1º caso:  Ciência de dados deficitária na Justiça Eleitoral 

É uma iniciativa louvável a lei de acesso as informações que rege a liberação de informações públicas ao cidadão, exceto quando alguém proíbe o acesso por 100 anos, etc..   Muitos websites dos órgãos do governo têm agora uma área chamada Acesso a informação ou Dados abertos. Agora, imagine um cidadão comum que não sabe nem usar um excel, SQL ou pensamento lógico utilizar aquelas bases, na maioria das vezes, sem uma chave primária entre as bases de dados? É o caso da justiça eleitoral ou das câmaras legislativas ou do congresso nacional. 

Eu tive que “sofrer” como qualquer cientista de dados para montar a análise abaixo para entregar ao cidadão comum a sabedoria digital. Quando eu contatei ao próprio Tribunal Superior Eleitoral, Procuradoria Geral ou até o Supremo tribunal Federal, os mesmos me responderam: não é nossa função fazer isso, conforme procedimento administrativo X paragrafo Y deste órgão

Por exemplo, o que é a aplicação de sabedoria digital em tempo de eleições ou que permita o cidadão comum fiscalizar os partidos ou candidatos? É saber quem está ou não fazendo o correto, e as bases do governo não entregam esse “insight” ou inteligência dos dados, mas apenas dados brutos. No exemplo abaixo, eu cruzei de forma imparcial o que significa cada partido, e logicamente que se aplicasse o conceito “drill down” identificaríamos quais candidatos associados a cada partido estão em boa ou mais situação.. Veja como os times de basquetebol ou futebol nos Estados Unidos oferecem em seus sites a performance produtiva e efetiva de cada desportista, por que não aplicar o mesmo para cada político?

2º caso:  Ministério da Economia e Ministério do Planejamento poderiam aplicar o “nado” sincronizado da ciência de dados

Eu te indago: O que a falta de criatividade tem a ver com a criação de tantos Salões de Beleza pelo Brasil?

O Governo Brasileiro sempre foi lento na implantação de tecnologias ou na integração de dados que beneficiem a população. Contudo, ontem foi lançado no Brasil o Mapa de Empresas criado pelo Ministério da Economia e Serpro.

É que as tecnologias do Governo brasileiro estão caminhando lentamente ainda, afinal, há muitos governos que já saíram do modelo analógico “la carte” de atender ao cidadão para um modelo totalmente digital “self service”.

Eu analisei esses dados do mapa das empresas lançado ontem e a minha conclusão é preocupante! Mas, antes de tudo, é bom você considerar que eu não tenho preconceito com as atividades econômicas abaixo, eu apenas apresento os dados para concluirmos. Eu analisei dados de abertura de empresas desde 2017 até 2020 dos Estados Unidos, Europa e comparei com os dados do Brasil.

Você teria coragem de abrir um CNPJ hoje no Brasil?

Todos nós já sabemos das dificuldades enfrentadas pelos empresários brasileiros ao optarem em abrir suas empresas e a alta carga tributária.

É altíssima também a importância do setor de serviço numa economia, entretanto, enquanto nos últimos 4 anos nos Estados Unidos e Europa os empresários de lá estão criando outras formas de serviço, mas no Brasil, adivinhe qual é a atividade econômica com maior índice de abertura no Brasil ?

Cabeleireiras e Pedicure!! Isso mesmo.. E qual o estado brasileiro onde está essa maior concentração no Brasil ?

Será que isso acontece porque é menos arriscado abrir um salão de beleza? Seria devido ao alto número de mulheres empreendedoras?

Algumas cidades eu tenho notado estão saturadas de salões de beleza ou de drogarias. Será que esse é o “destino” do varejo? Seria essa escolha por lógica ou por vocação dos empresários brasileiros ?

Eu trago esta reflexão para que escolas e governos entendam esse caminho mais fácil ou menos arriscado optados por esses empresários, enquanto fora do Brasil, a maioria dos novos negócios envolvem novos tipos de serviços e/ou tecnologias.

E é interessante o brasileiro cuidar dos pés e das mãos, mas quem está cuidando da “cabeça” dos cidadãos brasileiros da próxima geração de empresários?

Esse maior número de escolha pelo ramo de Salões de Beleza no Brasil também traz outras verdades inconvenientes, talvez, para a nossa reflexão. Eu destaco a mais importante:

  • As mulheres estão cada vez estudando mais do que os homens, mas elas não são ainda a maioria na abertura de novos negócios. Quanto menor o nível de educação formal, maior a quantidade de abertura de negócios que não exigem uma formação superior; 
  • Aberturas de negócios não pela inovação, mas pelo baixo risco.

Para conhecer esta análise completa no MS Power BI, acesse…

3º caso:  Você não tem autorização de pouso!!

E como cada vez mais a Ciência de Dados deve sair do mundo teórico e ficcional e ser aplicada em tempo real e acessível para todos, os órgãos do governo deveriam entender que, quanto mais evitar a integração de dados, mais dinheiro será desperdiçado.  Veja o que aconteceu esta semana no Estado de São Paulo, por exemplo:  Todos os aeroportos do Brasil, terceirizados ou não, deveriam responder a Infraero, ANAC, etc.. certo? Pelo menos na questão de normatizações. Há países que proíbem que um avião pouse se não houve autorização prévia, exceto em caso de risco de acidente. O que aconteceu no Brasil? Um avião que estava proibido de voar, pois estava bloqueado pela justiça, conseguiu voar e pousar. Logo, eu admito com a maior segurança: o Brasil ainda está na pré-infância da Ciência de dados. Não é questão de má vontade, é questão de transferir o poder para um “algoritmo” irá tirar poderes. 

Heverton Anunciação, considerado o influenciador #1 no mundo em CRM e CX pela rede Thinkers360, e eleito entre os 30 gurus de Atendimento ao Cliente no mundo pelo site Global Gurus.. Foi jurado dos premios de atendimento ao cliente ABT e CMS. É um dos principais autores, consultor, palestrante e escritor no mundo em CRM, CX e Ciência de dados. The CRM Guy, O Cara do CRM e o Caçador de Experiências Excepcionais aos clientes; 

Saiba mais no meu site www.heverton.com.br

Autor dos Livros:

  • Data Science and Business Intelligence: Advice from important Data Scientists around the World. 
  • 30 Advice from 30 Greatest Professionals in CRM and Customer Service in the world, foreword by Don Peppers.  
  • The Book of all 20 Methodologies to improve and profit from Customer Experience and Service — Why, when and how to use each one.  
  • The Official Dictionary for Internet, Computer, ERP, CRM, UX, Analytics, Big Data, Customer Experience, Call Center, Digital Marketing and Telecommunication: — The Vocabulary of One New Digital World….  
  • O Capitalismo do Cliente: O que Importa é a experiência do Consumidor e com prefácio de Roberto Meir, presidente da Consumidor moderno.

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Heverton Anunciação

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