Mercado de IA deverá valer US$ 407 bilhões até 2027, diz pesquisa

A Inteligência Artificial não é um termo atual, porém se tornou muito relevante na última década devido aos avanços acelerados da tecnologia na rotina de pessoas e empresas. Ao ouvir sobre o tema é possível que soe como algo distante ou futurístico, mas Smart TVs, celulares com reconhecimento facial, assistentes virtuais e carros autônomos são algumas das tecnologias atuais criadas a partir da IA.
 
A inteligência artificial é uma ciência interdisciplinar com várias abordagens, onde o objetivo é construir um sistema de computador que seja capaz de simular o comportamento humano, possibilitando usar processos de “pensamento” semelhantes para resolver problemas complexos. Para criar tal tecnologia, é necessário programar algoritmos que processem grandes quantidades de dados, posteriormente aprendendo, raciocinando e se autoaperfeiçoando a partir deles.
 
Organizações dos mais diversos ramos estão aderindo à inteligência artificial visando obter vantagem competitiva, sobretudo as Big Techs (Google, Microsoft, Amazon, entre outras). Elas vêm utilizando a vasta quantidade de dados gerados por seus usuários para alimentar algoritmos, aprendendo o comportamento de cada público para desenvolver serviços altamente assertivos e direcionados.
 
Segundo uma pesquisa realizada pela MarketsandMarkets (empresa especializada em pesquisa e consultoria para o mercado B2B), é esperado que o mercado de Inteligência Artificial cresça a uma taxa anual composta (CAGR) de 36,2% durante o período de previsão, saindo de US$ 86.9 bilhões de dólares em 2022 para US$ 407 bilhões em 2027.
 
Inteligência Artificial nas empresas
 
Atualmente a inteligência artificial é usada nos negócios principalmente para aumentar a produtividade e potencializar resultados. Ela pode ser implementada em vários setores da empresa para melhorar o desempenho, eliminar etapas de trabalho e auxiliar na gestão e monitoramento de operações.
 
Em linhas gerais, a execução de um projeto de IA começa com a compilação de dados, preparação de dados, treinamento da IA e por fim a implementação. O “ciclo de vida” de uma Inteligência Artificial envolve vários estágios, e empresas que desejam investir nessa tecnologia devem garantir que todas sejam cumpridas.
 
Para especialistas como Andrew Ng, cofundador do Google Brain, a inteligência artificial será sempre tão boa quanto os dados que a alimentam, e a preparação de dados de alta qualidade representa pelo menos 80% do ciclo de vida de uma IA. É aí que entra a engenharia de dados, responsável por construir uma boa infraestrutura que suporte a escalabilidade da Inteligência Artificial.
 
A infraestrutura de dados se refere a todos os recursos envolvidos na coleta, armazenamento, manutenção e compartilhamento de dados em empresas, incluindo hardware, software, rede, políticas internas, entre outros. Ainda segundo a pesquisa da MarketsandMarkets, o segmento de IA que mais tende a crescer até 2027 é o de servidores de infraestrutura em nuvem, por oferecer maior flexibilidade operacional e facilitar análises em tempo real.
 
Para Daniel Luz, COO da beAnalytic (empresa de consultoria em tecnologia com foco em Engenharia de Dados e Business Intelligence), “é muito comum que empresas iniciem projetos de analytics e inteligência artificial sem se preocupar com a infraestrutura de dados. Com isso, quando os projetos entram em produção e começam a ganhar escala, a infraestrutura começa a ser o gargalo. Esse é o papel da engenharia de dados, garantir a disponibilidade e qualidade dos dados para que os cientistas e analistas possam atuar”.
 
Após a preparação dos dados vem a análise, treinamento e teste da inteligência artificial, que acontece por meio de algoritmos – instruções que guiarão o funcionamento da IA, ensinando à máquina o que fazer, quando fazer e como fazer-, culminando por fim na implementação do serviço.
 
A MarketsandMarkets estimou que a inteligência artificial beneficia principalmente verticais do segmento financeiro, TI/ITES, da telecomunicação, saúde, manufatura, varejo, comércio eletrônico, governo e defesa, transporte automotivo e logística, energia, viagens e educação. Apenas no Brasil, a consultoria de tecnologia IDC estima que empresas investirão US$ 504 milhões de dólares (cerca de R$ 2.61 bilhões) em inteligência artificial durante o ano de 2022. Por ser uma tecnologia modelada por dados, a IA é considerada uma das ferramentas mais promissoras para o meio empresarial, capaz de adaptar-se às constantes mudanças nas tendências de mercado.