De engenharia para tecnologia: como migrei minha carreira

Artigo escrito por Henrique Branco • Desenvolvedor RPA na Cellere, com 3 anos de experiência profissional com análise e ciência de dados e automação de processos, incluindo empresas multinacionais (Bosch e ADM do Brasil).

De engenharia para tecnologia! Bem-vindos à minha história!

Você é engenheiro formado e tem pretensão de migrar para área de tecnologia? Não importa quantos anos você tenha, tanto de idade quanto de experiência em ambas as áreas, saiba que é possível. Por isso neste post vou compartilhar minha história. Começando então desde quando me formei em engenharia mecânica até o os dias atuais, quando comecei a trabalhar na área de tecnologia como desenvolvedor RPA.

Contextualização

É estranho escrever a palavra história referente à minha, de vida, pois são apenas 29 anos, idade que possuo quando escrevo esse post. E em se tratando de histórico profissional, específico sobre migração de carreira, posso ainda reduzir o conteúdo dela para os últimos 3 anos, que vão de 2017 até 2020. Sim, eu ainda sou muito novo, principalmente em experiência de mercado! São 3 anos apenas…

Tudo começou em 2017

Em 2017 eu ainda era estudante de engenharia mecânica na UFU (Universidade Federal de Uberlândia). Estava próximo à colação de grau, preparado para ingressar no mercado. Precisava, então, começar minha jornada como a maioria começa: através do estágio. Em janeiro de 2017 encontrei meu primeiro estágio não remunerado em uma startup de tecnologia chamada eSolvere. Aprendi muito durante os 4 meses em que permaneci na empresa, principalmente sobre gestão de processos e pessoas. Estes temas foram abordados de forma superficial pela universidade. Portanto tive que aprender na prática.

A fim de agregar conhecimento, e também buscando por uma primeira remuneração, participei de um processo seletivo para estágio em uma empresa multinacional e passei. Acabei saindo da eSolvere com muita gratidão pelo aprendizado, mas o momento era propício para novos desafios.

Estágio em manutenção e a dor do Excel

Em maio de 2017, pela primeira vez, pisei em um chão de fábrica. O processo seletivo mencionado acima era para atuar como estagiário de manutenção industrial na empresa ADM do Brasil, cargo que permaneci por um ano e meio. Foi um período de duas descobertas fundamentais em minha vida relacionadas ao meu futuro profissional: o que eu queria para minha vida profissional e o que eu não queria!

Graças à manutenção descobri minha paixão por dados!

Ao iniciar minha jornada dentro da ADM, logo no início tive contato com dados de manutenção. Embora eu não tenha me destacado na minha função principal como futuro engenheiro de manutenção, acabei conhecendo um potencial próprio que eu mesmo desconhecia: análise de dados. A partir de então comecei a colocar em prática todos os 10 anos passados (sim, dez anos!) que passei estudando Microsoft Excel. Fiquei maravilhado com os resultados das análises que consegui realizar com um certo volume de dados reais. Até então tinha trabalhado apenas com dados não reais e acadêmicos, e em pouquíssimo volume, quando comparado ao volume de dados que encontrei na empresa. Mas nem tudo são flores!

Maravilhas do Excel, até um certo ponto…

Do céu ao inferno com Excel

A dor da descoberta: o Excel é limitado!

Com o volume de dados crescente de forma exponencial, o Excel, que havia demonstrado seu potencial por conta das minhas habilidades, começou então a expor um dos seus maiores pontos fraco: limitação com relação a grandes volumes de dados. Por exemplo, uma planilhas com alguns milhares de linha, que demoram horas para sequer abrirem por conta das fórmulas, formatações, e outras características da ferramenta. Em um dado momento, cheguei a questionar minhas habilidades por não ser capaz de solucionar tal limitação.

Quem nunca passou por isso com Excel?

Quando sai da ADM, já em dezembro de 2018, carreguei comigo essa dor. Era algo que eu precisava solucionar, pois outras empresas poderiam (e pasmem, sei hoje em 2020 que ainda tem…) o mesmo problema. Comecei, a partir de então, a estudar formas para solucionar o problema da limitação do excel com relação ao volume de dados, mesmo após ter saído da companhia em dezembro de 2018.

Ciência de dados é a solução!

Quando comecei a pesquisar a solução do problema acima, me deparei com uma realidade que estava fora do meu alcance. Ciência de Dados e Big Data. Comecei a me envolver com alguns termos que eu não fazia ideia do que eram: Hadoop, Spark, Big Data, SQL, Python, R, Machine Learning. Mas estava disposto a encarar, sabendo que seria a solução da minha limitação com o Excel. Então mergulhei de cabeça e comecei a estudar em um ritmo forte durante todo o ano de 2019. A partir de janeiro, foram 8 horas diárias de dedicação durante alguns belos meses. Utilizei livros, cursos online, fóruns, YouTube e outras ferramentas para o meu aprendizado.

O mundo de ciência de dados à minha disposição!
Fonte da imagem: https://ecmiindmath.org/2019/07/16/the-new-data-science-research-center-at-university-of-milan/

Destaco aqui 2 cursos online que comecei que alavancaram minha carreira e estudos: a plataforma Alura, onde tive meu primeiro contato com Machine Learning e os demais conceitos de ciência de dados, e a Data Science Academy, ou DSA, que escolhi para aprofundar e me especializar no tema.

O tal do portfólio

Em ambos os cursos falava-se muito de portfólio de projetos. Depois de adquirir um certo conhecimento, comecei a publicar alguns pequenos projetos no meu portfólio. Além disso, criei uma conta no GitHub para divulgar meus códigos e comecei a contribuir com o código de outras pessoas. Após um certo tempo de estudo, é bacana você poder conhecer o suficiente para contribuir com outras pessoas, seja divulgando seu trabalho, escrevendo projetos, artigos ou posts. Desta forma, consegui construir um portfólio que chamasse a atenção de alguns recrutadores.

Inclusive vou deixar o link dele aqui para quem quiser se inspirar. Ainda há poucos projetos, pois substitui projetos básicos por projetos um pouco mais sofisticados, conforme o tempo passou e eu aprimorei meu aprendizado.

A entrada no mercado

Depois de pouco mais do período equivalente à uma gestação de estudos, recebi um convite para trabalhar em outra empresa: Robert Bosch. A vaga, porém, não era para cientista de dados! A empresa fez questão de deixar claro que a vaga, apesar de ter bastante contato direto com a equipe de dados, seria para desenvolvedor RPA. Mas o que é RPA? Até janeiro deste ano de 2020 eu não sabia!

Sede da Bosch em Campinas. Eu estive nesse chapeuzinho vermelho!
Fonte da imagem: https://www.bosch-press.com.br/pressportal/br/pt/image-16832.html

O fato é que meu perfil e portfólio chamaram atenção dos recrutadores, e a Bosch me fez uma proposta: fornecer uma vaga de Trainee com contrato temporário de um ano, período no qual eles forneceriam todos os treinamentos para que eu pudesse crescer profissionalmente como desenvolvedor RPA. Sendo assim, aceitei, mesmo sabendo que seria para outra área, e que teria que estudar assuntos novos. Mais a frente esclareço sobre o que é RPA.

A Bosch me forneceu todo suporte e treinamento e, passado 6 meses, em julho deste ano (2020) recebi uma outra proposta irrecusável para trabalhar na Cellere, também como desenvolvedor RPA. E é onde trabalho atualmente, feliz da vida, atuando em diversos projetos multidisciplinares. Na Cellere já adquiri diversas outras habilidades, como por exemplo desenvolvimento de software, construção de API’s e microserviços e metodologias ágeis de projetos, por conta das demandas que surgem. Sempre estive pronto para aprender temas novos!

Material de boas-vindas que recebi da Cellere!

Meu perfil

Aliás, este é um dos pontos fortes que destaco do meu perfil: o gosto por estudar temas novos, aprender, ler, pesquisar e o mais importante, aplicar conhecimentos adquiridos. Não vou generalizar e dizer que esse é o perfil da área de tecnologia, ciência de dados ou RPA. Mas posso afirmar com autoridade que este é meu perfil, que me garantiu uma vaga no mercado de trabalho. Eu estudei ciência de dados pelo gosto, e também para encontrar uma oportunidade, e continuei meus estudos mesmo após encontrar uma vaga em outra área da tecnologia. O que fiz foi me adaptar para aprender sobre RPA, enquanto que os estudos sobre ciência de dados continuam e sempre vão continuar eternamente. Somente acrescentei tópidos à minha lista eterna de estudos, priorizando aqueles que me trarão crescimento profissional, claro.

Meu lema de vida!

Apesar de eu não atuar na área de ciência de dados propriamente dita, tive contato direto com a equipe de dados da Bosch e estarei totalmente apto e preparado para assumir projetos na Cellere, caso necessário. Ao longo dos últimos anos construiu o perfil chamado de T-shaped, sendo especialista em um assunto, ciência de dados, e conhecendo um pouco dos outros com os quais trabalho. Gosto desse perfil porque a ideia de multidisciplinaridade é intercambiável: o que aprendo em uma área, consigo aplicar em outras, como por exemplo programação em linguagem Python.

O futuro me aguarda

A idéia para os próximos anos é construir novamente esse perfil, desta vez dentro da própria área de ciência de dados, tornando-me especialista em uma das sub-áreas de ciência de dados e conhecendo um pouco das outras sub-áreas. Adicionalmente pretendo crescer profissionalmente como desenvolvedor RPA. Mas que raio é esse de RPA? Conforme prometido acima, explico.

Escolher uma dessas áreas e me especializar, eis o desafio!
Fonte da imagem: http://nirvacana.com/thoughts/2013/07/08/becoming-a-data-scientist/

RPA

RPA é uma abreviação inglesa para Robotic Process Automation, que em português significa Automação Robótica de Processos. Em termos simples, é a construção de robôs de automação. Existem diversos softwares que facilitam nossa vida quando construímos esses robô e alguns desses softwares são licenciados, como o Automation Anywhere, BluePrism e UiPath, por exemplo.
Abaixo uma definição retirada do site do UiPath sobre o que é RPA.

A Automação Robótica de Processos é a tecnologia que possibilita qualquer pessoa, hoje em dia, a configurar um software ou um “robô” para imitar e integrar as ações de um ser humano, interagindo nos sistemas digitais para executar um processo empresarial. Os robôs de RPA utilizam a interface do usuário para capturar os dados e manipular programas, assim como os humanos. Eles interpretam, acionam respostas e se comunicam com outros sistemas para realizar uma grande variedade de tarefas repetitivas. Só que eles realizam tais tarefas de uma forma consideravelmente melhor: um software robô de RPA nunca dorme e não comete erros. 

Fonte: https://www.uipath.com/pt/rpa/robotic-process-automation

Ou seja, é a construção de soluções inteligentes e automatizadas, que executam tarefas repetitivas para interagir com e entre sistemas.

Robôs de automação já são realidade!
Fonte da imagem: https://nidaros.nl/what-is-rpa/

Podemos construir robôs de automação com ferramentas open-source gratuitas também, como o Open RPA. Ou até mesmo programar a partir do zero um robô utilizando uma linguagem de programação para interagir com os sistemas.

Algumas ferramentas proprietárias possuem treinamentos online gratuitos onde qualquer pessoa pode acessar. Você pode começar agora mesmo a construir seus próprios robôs de automação! Seguem 2 links para você começar a aprender já, o único requisito é ter vontade de aprender e saber inglês, pois os cursos são ministrados em inglês.

Agradecimento e contatos

Se você chegou até aqui, é porque se interessou pela minha história profissional e leu até o final. Espero ter esclarecido um pouco sobre como fiz minha migração de carreira. Obrigado pela sua leitura até aqui!

Gostaria de entrar em contato comigo para troca de experiência e discussões posteriores? Clique nos ícones abaixo e me envie uma mensagem!

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